OPINIÃO: Reforma da previdência, precisamos, sim, falar sobre isso

No Brasil, virou tabu falar da (imprescindível) reforma da previdência, demonizada como se fosse uma caça ao dinheiro e aos direitos dos aposentados. Coisa que ela está longe de ser.

O debate, o bom debate, que opõe argumentos e não pessoas, ideias e não doutrinas, fatos e não notícias falsas, esse parece não ter mais vez na radicalizada e passional política brasileira.

Por outro lado, sou cobrado por minha clara posição favorável a ela. Cobrado, aliás, diz pouco. Então, já que tantos questionam meu apoio, não raro com mais ímpeto que o recomendável e mais raiva que o aceitável, acho que cabe colocar aqui dados, fatos e informações que mostram a necessidade cabal de uma reforma no nosso sistema previdenciário. Vamos a eles.

Médias de aposentadorias por setor: público – poder executivo: R$ 9.000,00; público – poder legislativo: R$ 28.000,00; público – poder judiciário: R$ 25.000,00; público – Ministério Público: R$ 30.000,00. Setor privado: R$ 1.600,00. O setor público gasta R$ 115 bilhões com 1 milhão de aposentados, enquanto o setor privado gasta R$ 500 bilhões para 33 milhões de aposentados.

O desequilíbrio entre o custo da previdência do setor público e do setor privado é gigantesco, assustador e injusto. Sim, porque quem sustenta o sistema são todos aqueles, que, independente do tamanho de sua renda, contribuem para a seguridade. Isso inclui os milhões de brasileiros situados nas camadas mais baixas da pirâmide social e que, sem nenhum dos inúmeros privilégios do setor público, lutam para sobreviver com renda familiar muitas vezes inferior a um salário mínimo.

A consequência do imenso acúmulo de privilégios por poucos é um rombo praticamente impagável. O déficit acumulado da previdência do setor público de 2001 a 2015 foi de R$ 1,3 trilhão para 1 milhão de pessoas, enquanto o déficit do setor privado no mesmo período foi de R$ 450 bilhões para 29 milhões de pessoas.

A conta não fecha, claro, e a tendência é que a situação continue a se deteriorar até o ponto em que o governo praticamente só vai ter dinheiro para saldar benefícios. Se nada for feito, em 2026, a União vai ter de usar mais de 70% de tudo o que arrecada apenas para pagar aposentadorias.

O fundo desse precipício no qual nos atiramos com um irresponsável risinho de felicidade está logo ali, a nos esperar. Ele, sim, o precipício, rindo a riso solto da nossa cegueira e da nossa covardia de encarar a realidade e fazer algo para evitar o desastre antes que se torne inevitável.

Os números são claros e mostram que é preciso se fazer algo. Pelo menos, enquanto ainda é tempo.